Rio+20: A Posição da Indústria

Mudança do Clima – A FIESP e a FIRJAN reiteram a pertinência do princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas” estabelecido pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, no Rio de Janeiro, em 1992.

As emissões mundiais de GEE, por setor, estão distribuídas da seguinte forma:

Energia – Dois terços (66%) das emissões mundiais de GEE são resultantes da produção de energia.

A intensidade de produção de energia está fortemente concentrada nos países desenvolvidos. O consumo per capita nesses poucos países é quase quatro vezes maior (9.300 kWh/habitante/ano) que a energia consumida pelos cidadãos dos países em desenvolvimento (2.500 kWh/habitante/ano).

No Planeta, a utilização de fontes renováveis e de baixa emissão de GEE na matriz energética não ultrapassa os 13%; e, nos países desenvolvidos, meros 7%.

O Brasil, listado nas maiores economias do mundo, tem a matriz energética mais limpa entre elas, alcançando 47% de utilização de fontes renováveis e de baixa emissão de GEE.

O predomínio das fontes fósseis de energia é insustentável. Enfrentar o aquecimento do Planeta exige foco, principalmente, na geração de eletricidade e no uso de combustíveis.

A fonte mais usada no mundo para geração de energia elétrica é o carvão mineral (40%), maior emissora de CO2. Dois terços, ou 66% da geração de eletricidade no mundo estão baseados em fontes fósseis (carvão mineral, gás natural e óleo) de alta emissão de CO2.

Os países desenvolvidos, em função da maturidade de suas economias e da estabilização de suas populações, apresentam baixos índices de crescimento na expansão da oferta de energia elétrica.

Os países em desenvolvimento, ao contrário, necessitam de altos índices de crescimento de oferta de eletricidade. Assim, a expansão do mercado de geração de energia elétrica no mundo dar-se-á predominantemente nestes países.
As opções que garantem a segurança de oferta a qualquer sistema elétrico são as usinas nucleares, as termelétricas movidas a carvão, óleo e gás natural, e as hidrelétricas.

A América do Sul, a África e a Ásia possuem vastos potenciais hídricos não utilizados, que devem ser a base da expansão de seus sistemas elétricos.

No Brasil, a geração de eletricidade produz baixo nível de emissões porque há predomínio de hidroeletricidade (84%), fonte renovável e a menor emissora de CO2, dentre todas as outras.

A FIESP e a FIRJAN entendem que os recursos hídricos disponíveis no mundo devem ser amplamente aproveitados em usinas hidrelétricas, considerando seu baixíssimo nível de emissão de GEE, asseguradas as ações de compensação ambiental e social.
A Indústria considera a energia eólica e a bioeletricidade como fontes complementares imprescindíveis à base dos sistemas elétricos, que também devem ser amplamente utilizadas em função de seus baixos níveis de emissão.

A produção de eletricidade a partir da energia solar, fotovoltaica ou concentrada não é competitiva em qualquer país do mundo. Em média, custa de cinco a dez vezes mais que a geração hidrelétrica nos países em desenvolvimento.

Ela pode representar a mais importante fonte de eletricidade para o Planeta nas décadas por vir. Entretanto, propor que países em desenvolvimento suportem subsídios a parques geradores de energia solar condena estas nações a retardarem seu desenvolvimento e a superação da fome e da miséria de suas populações.

Combustíveis no Mundo – Os combustíveis derivados de petróleo, fonte não-renovável e maior emissora de GEE, representam 95% do consumo mundial.

No mundo, caminhões e ônibus são movidos a óleo diesel. Em quase todos os países, os automóveis são abastecidos com gasolina ou óleo diesel. O transporte marítimo utiliza óleo combustível e o transporte aéreo utiliza querosene derivado de petróleo.

O Planeta necessita de tecnologias que permitam a substituição do petróleo como fonte primária de combustíveis.

O setor de transportes de carga e de passageiros tem grande parte da responsabilidade pelo aquecimento global. O mundo ainda não conquistou viabilidade comercial para usar exclusivamente biocombustíveis no transporte de carga. Os esforços devem focar-se na construção de matrizes logísticas que privilegiem o transporte de grandes volumes de carga.

No transporte individual de passageiros, o automóvel elétrico apresenta-se como nova alternativa. É importante instrumento para a redução da poluição urbana. Entretanto, se a energia elétrica para seu abastecimento for produzida a partir de fontes fósseis, ele pouco contribuirá para a redução das emissões de CO2, que causam a mudança do clima no Planeta. Neste caso, haveria apenas o deslocamento da emissão de GEE do processo de combustão dos automóveis para o sistema de geração de eletricidade.

Há, entretanto, avanços tecnológicos amplamente utilizados por alguns países, em veículos leves e automóveis. A única solução energética viável economicamente até o momento, para automóveis, é a utilização de etanol produzido a partir de fontes diversas de biomassa.

Os Estados Unidos, com uma frota de automóvel que consome mais de 40% da gasolina utilizada no mundo, desenvolveram o maior programa de utilização de biocombustível do Planeta, com adição de 10% de etanol de milho à sua gasolina o que reduz 21% das emissões de CO2.

Combustíveis no Brasil – O Brasil possui o segundo maior programa de utilização de biocombustíveis do mundo, com a utilização de etanol de cana-de-açúcar para automóveis, fazendo dele o mais sofisticado tecnologicamente.

O país adiciona 25% de etanol de cana-de-açúcar à sua gasolina e, além disso, adotou o motor flex fuel em 94% de sua produção de automóveis, a sexta maior do mundo, com mais de 3,5 milhões de veículos fabricados por ano. Esse motor permite a utilização de gasolina, etanol ou qualquer mistura dos dois.

O Brasil é o único país do mundo no qual a utilização do etanol ultrapassou o consumo da gasolina no abastecimento da frota de veículos leves. O etanol de cana de açúcar produzido no Brasil é, comprovadamente, muito mais eficiente que o etanol de milho no combate à mudança do clima, pois reduz até 90% das emissões de CO2 quando comparado à emissão de GEE da gasolina.

A FIESP e a FIRJAN entendem que, para o Planeta, é fundamental privilegiar o transporte coletivo de passageiros sobre o transporte individual, assim como o transporte fluvial, ferroviário e marítimo em detrimento do transporte rodoviário de cargas.

A Indústria aponta que a ciência deve perseguir soluções tecnológicas e comerciais para ampla utilização de biocombustíveis nos meios de transporte de carga, tais como caminhões e navios, e nos meios de transporte coletivo de passageiros, como ônibus, trens e aviões.

A FIESP e a FIRJAN indicam que as nações com disponibilidade de território, água e clima devem adotar programas de produção de biocombustíveis, em harmonia com sua produção de alimentos, e todos os outros países devem desenvolver programas de consumo doméstico de biocombustíveis.

Fonte: GL Consultoria

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