Comunicação e Inteligência na Gestão de Crises

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Comunicação e Inteligência na Gestão de Crises

Os conhecimentos inerentes ao curso de extensão interdisciplinar nas áreas de Comunicação e de Inteligência destinam-se à gestão de crises políticas, institucionais ou empresariais, relacionadas com acusações de corrupção, de danos ao meio ambiente ou, ainda, de violações às boas práticas de cidadania ou de Direitos Humanos. Assim, o objetivo final é buscar informações e técnicas que permitam gerir adequadamente crises de imagem de autoridades, políticos ou corporações privadas. Destina-se aos profissionais da Comunicação (como jornalistas e assessores de imprensa) e de Relações Institucionais e Governamentais, como também aos profissionais das áreas de Ciência da Informação e Inteligência que buscam ampliar seus conhecimentos na área de gestão de crises.

Especificações

Carga: 40 horas com 5 módulos de 8 horas

Turmas: em princípio, mínimo de 8 integrantes. A composição das turmas ou grupos pode ser alterada conforme situações específicas das demandas de cada caso ou situação organizacional que se apresentar.

Demanda

A consolidação da Democracia no Brasil — com a combinação da autonomia do Ministério Público e a independência operacional crescente de órgãos públicos como Polícia Federal, Receita Federal, COAF e Banco Central — aliada à liberdade de expressão da imprensa, têm aumentado de modo substancial a capacidade de investigação e de punição à corrução de entes públicos e privados. Assim, nos últimos 10 anos — em especial devido à sucessão dos escândalos do Mensalão e da Operação Lava Jato — o país foi transformado em permanente cenário de crises, envolvendo autoridades do governo, políticos e, mais recentemente, empresas privadas e estatais. Em outra vertente, demandas crescentes da sociedade por questões como cidadania e meio ambiente têm provocado crises corporativas, com acusações de trabalho escravo nas indústrias, homofobia e, principalmente, desastres ambientais. Para gerir essa profusão de crises — que podem provocar estragos profundos na imagem pública das autoridades ou das empresas — não são necessários apenas advogados, mas também especializados profissionais de Comunicação, de Inteligência e de Relações Institucionais.

Conteúdo das aulas

Módulo 1: Sistema político (8 horas)

Reflexões sobre o sistema político e econômico brasileiro. A relação entre público e privado, por meio do financiamento de campanhas e a construção dos oligopólios econômicos com dinheiro público. Estudos de caso sobre crises de imagem em escândalos de corrupção, envolvendo agentes públicos e corporações privadas. A nova Carta dos Direitos Fundamentais e a ascensão dos novos atores da cidadania com suas demandas étnicas, de gênero, de boas práticas laborais e ambientais.

Módulo 2: Comunicação Institucional (8 horas)

Visão dos públicos estratégicos. O público interno e estudo dos públicos de interesse. As diferenças entre comunicação pública, institucional, governamental e corporativa. Arquitetura e estrutura organizacional dos setores ligados à Comunicação. Assessorias de comunicação, estudo de onde a comunicação não atua e novas possibilidades. Análises situacional e ambiental. A visão de futuro institucional/organizacional. Análise dos sistemas de comunicação internos das empresas, níveis alcançados, explorando pontos fortes e colaborando para minimizar vulnerabilidades.

Módulo 3: Relação com a mídia privada (8 horas)

Panorama dos grandes grupos de mídia brasileiros e a dependência econômica dos governos e dos bancos. Como influir na construção da pauta dos veículos jornalísticos e dos formadores de opinião. Anatomia dos jornalistas influentes: quem é quem entre os editores, colunistas e repórteres setorizados. Quando acionar editores, colunistas de opinião, colunistas de notas ou repórteres especializados. A redução de danos em caso de escândalos. Éticas e práticas: ou como funciona a cabeça dos jornalistas investigativos.

Módulo 4: Inteligência (8 horas)

A relação de confiança entre o sujeito-alvo o assessor de crise. Planejamento e prática de pesquisa para explicar ou justificar denúncias. A Inteligência e a investigação contra a crise. Gestão da rede de contados e das fontes de informações. O uso do off e o sigilo da fonte: éticas, práticas e violações. A relação com o Ministério Público e as técnicas de “lavagem de informação suja”. Técnicas de redução de danos por meio de técnicas de contrainformações: estudos de casos. Planejamento e gerenciamento de Crises.

Módulo 5: Persuasão e rede de contatos (8 horas)

Os modelos de persuasão. Modelos de rede de contatos. Organização da agenda e hierarquização das fontes. Abordagem de fontes de informação. Técnicas básicas de PNL e de linguagem do corpo. Técnicas básicas de vestuário, de etiqueta social e de comportamento. Técnicas de entrevista jornalística. Técnicas de entrevista de inteligência.

Resumo das qualificações dos orientadores

Homero Zanotta – Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército, especialista em Inteligência e em gerenciamento de crises nas esferas pública e privadas. Possui MBA em Gestão Estratégica da Informação pela Fundação Getúlio Vargas (Brasília), e em Estratégia Executiva pela FGV-RJ. Atuou no Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República de 2004 a 2011, participando de grupos de gerenciamento de crises. Experiência em análise organizacional, elaboração de diagnósticos comunicacionais e desenvolvimento de planos, projetos e programas de gestão pública e privada.
Hugo Studart – Jornalista, professor universitário e executivo de Relações Governamentais. Graduado em Jornalismo pela Universidade de Brasília-UnB; especialização em Ciência Política, mestre e doutor em História Politica, também pela UnB. Como jornalista, atuou como repórter de econômico e politico nos principais veículos do país, como Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo; como editor de Política e colunista nas revistas Veja, Manchete e Dinheiro; como Diretor e colunista da IstoÉ; além de editor-chefe da revista Desafios do Desenvolvimento, do Ipea. Foi agraciado em diversos prêmios, como o Esso e o Abril de Jornalismo, e o Prêmio Wladimir Herzog de Direitos Humanos. Experiência de 16 anos em funções executivas, com ênfase em Relações Governamentais e conteúdo jornalístico. Experiência em campanhas políticas na área de pesquisa de informações (Inteligência) e em gestão de crise. Como professor, lecionou na Fundação Casper Líbero, São Paulo, e na Universidade Católica de Brasília. É pesquisador do Núcleo de Estudos da Paz e dos Direitos Humanos da Universidade de Brasília, UnB, e professor no curso de Pós Graduação (MBA) em Relações Institucionais do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais – Ibmec.

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Curso de Gestão de Crise de Imagem e Reputação

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Curso de Gestão de Crise de Imagem e Reputação

Carga horária:

16 horas

Público-alvo:

empresários, executivos e gestores de organizações que lidam com a imprensa

Objetivo:

O curso tem como objetivo apresentar conceitos e etapas necessárias para a gestão de crise de imagem. Ao final do curso os participantes serão capazes de saber identificar os sintomas de uma crise de imagem com a opinião pública, tendo condições de prepararem um plano de prevenção e gestão de crise para suas organizações, sendo capacitados a lidarem com a imprensa em períodos de crise.

O curso contempla a participação de profissionais da TV, como filmagem e edição de imagens.

Custo:

a consultar

Nr de participantes:

Turmas com máximo de 15 pessoas

Duração:

2 dias seguidos, ou a ajustar

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Diálogos e discussões. Tema: uma nova Constituinte

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A crise anunciada do Anel do Pescador que troca de mãos

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Na pauta do consistório convocado – assembléia ou reunião de cardeais presidida pelo Papa – constava apenas a discussão e decisão sobre três canonizações.

Tudo transcorria como de costume. Os integrantes do staff papal já estavam bem acomodados em seus assentos e o Pontífice já havia ocupado a agenda prevista. Tudo indicava que o protocolo daquela segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013, estava próximo do seu final.

Mas não foi bem assim. Assessores mais próximos perceberam que o Papa estava inquieto. Havia algo no ar daquele fatídico dia.

Foi nesse momento que Bento XVI retira da pasta um papel que ninguém tinha visto. E fez um corajoso e histórico pronunciamento.

No Vaticano, como de praxe em outros lugares do mundo, pronunciamentos são analisados em termos de forma e conteúdo, além, claro, da legitimidade dos atos e suas consequências. Não foi o caso daquele documento. Apenas o Papa sabia do que se tratava.

O Papa, então, lê o texto em claro e bom tom de voz. Declara-se incapaz de continuar em sua missão, relata que suas forças físicas e mentais se esgotam e anuncia que no próximo dia 28 de fevereiro apresentará renúncia.

O Secretário particular do Sumo Pontífice pensa consigo “Vamos com calma… deve haver um engano…” e aproxima seus olhos para aquele papel na suspeita de que um intruso o tivesse escrito e caiu por acaso na prancheta papal. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, tosse e, rapidamente, busca respostas para as perguntas que ainda ninguém fez. Os Cardeais presentes se entreolham estupefatos.

Crises são assim. Mostram sinais imperceptíveis, pistas de algo que pode ocorrer, singelas pegadas na neve ou discretas marcas na história recente. Até que, em determinado momento a montanha vem abaixo, o trem descarrilha e as coisas parecem sair de controle. E não se tem a visão de um desenrolar lógico dos acontecimentos que levariam a um desfecho feliz.

Foi nesse processo que, hoje, identificamos fatos críticos na linha do tempo do Vaticano e na gestão de Bento XVI. O Mordomo, Paolo Gabriele, que vazou documentos pessoais; o Islamismo que prossegue sua histórica expansão; a interminável Segunda Guerra Mundial que, insistindo em se fazer presente, provoca declarações, suspeitas e desculpas; as distorções de comportamento sexual e escândalos públicos de integrantes da Igreja Católica; as invisíveis divisões eclesiásticas na clássica busca do poder; e as dificuldades em incorporar mudanças sociais e tecnológicas, entre outros sinais, apontavam que o fardo estava pesado demais para Joseph Ratzinger, um ser humano de 85 anos de idade.

O motivo da anunciada crise é simples: um cenário impensado! Os que sabiam das condições clínicas de Sua Santidade mantinham discrição e achavam que o fim do Papa seguia seu processo natural de declínio. Os que suspeitavam não se atreviam a lenvantar tal hipótese e os que contavam os anos apenas acompanhavam o dia-a-dia de Bento XVI.

O terreno das hipóteses é fértil pelos que analisam a situação gerada. Chegaram a imaginar um futuro processo de canonização, mas, com a renúncia, isso seria inviável. Pensam eles que o Papa assumiu o cargo para, como a maioria de seus antecessores, nele permanecer atá morte, desconhecendo os dispositivos legais do Código de Direito Canônico. Outros, ainda mais trágicos, formulavam a possibilidade de o sucessor vir a falecer antes de Bento XVI…

Anulus Piscatoris ou o Anel do Pescador é o símbolo oficial do Papa, o sucessor de São Pedro. O Anel era usado como um sinete, o reconhecimento oficial da documentação assinada pelo Papa. Ao renunciar e se enclausurar para reflexões e orações, o Anel que o então Papa Bento XVI portava será destruído.

A Capela Sistina receberá o colegiado de Cardeais e o mundo ficar à espera da celebração do conclave e da escolha do sucessor de Bento XVI.

Como inexiste evento de “passagem do cargo” no caso do Papa, durante a cerimônia de Tomada Papal, o escolhido receberá um novo Anel, que será colocado no quarto dedo da mão direita pelo Decano do Colégio dos Cardeais.

Novo Anel, mesmos problemas, velhas crises!

Homero Zanotta é proferssor de Comnunicação Social e integrante do Instituto Sagres