Lançamento do Curso de Extensão em Comunicação e Gestão de Crises

by

Na sexta-feira, dia 27 abril, na sede do Instituto Histórico e Geográfico do DF ocorreu o lançamento do Curso de Extensão em Comunicação e Gestão de Crises.

O evento constou de uma palestra do jornalista e escritor Mário Rosa, um dos professores do curso, na qual abordou o tema “Memórias de um consultor de crises”. Um dos primeiros profissionais de gerenciamento de crises e gestão de reputação do país, Mário é autor de quatro livros sobre o tema: “A Síndrome de Aquiles” (2001), “A Era do Escândalo” (2003), “A Reputação na Velocidade do Pensamento” (2006) e “Entre a glória e a vergonha” (2017).

O Curso de Extensão em Comunicação e Gestão de Crises é uma iniciativa do Instituto Sagres em parceria com a Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais – Abrig. Trata-se de um curso de extensão interdisciplinar nas áreas de Comunicação e de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) aplicado à gestão de crises políticas, institucionais ou empresariais, relacionadas com acusações de corrupção, de danos ao meio ambiente ou, ainda, de violações às boas práticas de cidadania. Assim, o objetivo é obter informações, conceitos e técnicas que permitam prevenir ou gerenciar crises de imagem de autoridades, instituições ou corporações privadas.

Comunicação e Gestão de Crises

by
Comunicação e Gestão de Crises

Curso de extensão interdisciplinar nas áreas de Comunicação e de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) aplicado à gestão de crises políticas, institucionais ou empresariais, relacionadas com acusações de corrupção, de danos ao meio ambiente ou, ainda, de violações às boas práticas de cidadania. Assim, o objetivo é obter informações, conceitos e técnicas que permitam prevenir ou gerenciar crises de reputação de autoridades, e de imagem de instituições ou corporações privadas.

Público

Destina-se à capacitação de profissionais da Comunicação (jornalistas e assessores de imprensa) e de Relações Institucionais e Governamentais (RIG), como também aos profissionais das áreas de Ciência Política, Ciência da Informação e similares que buscam encontrar oportunidades nessa nova especialidade do mercado de trabalho.

Efetuar Inscrição

Confira o evento de lançamento do curso

Ainda tem dúvida? Fale com a gente

Apresentação

A consolidação da Democracia no Brasil — com a combinação da autonomia do Ministério Público e a independência operacional de órgãos como Polícia Federal, Receita Federal, COAF e Banco Central — aliada à liberdade de expressão da imprensa, têm aumentado de modo substancial a capacidade de investigação sobre entes públicos e privados. Assim, o país vem sendo transformado em permanente cenário de crises, envolvendo autoridades do governo, políticos e, mais recentemente, empresas privadas e estatais.

Em outra vertente, demandas crescentes da sociedade por questões como cidadania e meio ambiente têm provocado crises corporativas, com acusações de trabalho escravo nas indústrias, homofobia e, ainda, desastres ambientais. Para gerir essa profusão de crises, são necessários profissionais especializados e qualificados.

Vínculo Institucional (Certificação)

Instituto Sagres

O SAGRES é um instituto que reúne um grupo de profissionais com formação acadêmica diversificada, orientados a produzir e difundir conhecimentos em campos como planejamento e gestão estratégica, cenários prospectivos, inteligência, política e gestão de crise, dentre outros. Fundado em 2004, já realizou consultoria e capacitação para 33 parceiros, entre órgão públicos e empresas privadas, como o Ministério Público do Trabalho, o Banco Central, a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Instituto Euvaldo Lodi, da Confederação Nacional da Indústria.

Parceria:

Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais – Abrig

Conselho Regional de Economia do DF – Corecon

Corpo docente:

Homero Zanotta (Coordenador) – Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército, especialista em Inteligência e em gerenciamento de crises nas esferas pública e privadas. Possui MBA em Gestão Estratégica da Informação pela Fundação Getúlio Vargas – DF e em Estratégia Executiva pela FGV-RJ. Especialista em Comunicação Social, atuou no Centro de Comunicação Social do Exército e no Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República de 2004 a 2011, onde participou de grupos de gerenciamento de crises. Experiência em análise organizacional, elaboração de diagnósticos comunicacionais e desenvolvimento de planos, projetos e programas de gestão pública e privada.

Hugo Studart (Coordenador) – Doutor e mestre em História Política pela Universidade de Brasília, jornalista, professor e executivo de Relações Institucionais. Atuou como repórter investigativo, editor ou colunista em veículos como O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo; revistas Veja e Dinheiro; como Diretor e colunista da IstoÉ; e editor-chefe da Desafios do Desenvolvimento, do Ipea. Agraciado em diversos prêmios, como o Esso de Jornalismo e o Herzog de Direitos Humanos. Lecionou jornalismo na Fundação Cásper Líbero (SP) e na Universidade Católica de Brasília; e, também, no MBA em Relações Institucionais no Ibmec e na Pós em Ciência Política na Upis. É professor associado do Núcleo de Estudos da Paz e dos Direitos Humanos da UnB.

Mário Rosa – Jornalista, escritor e palestrante, é o primeiro consultor do país em gerenciamento de crises e gestão de reputação. Como jornalista, atuou nas principais redações do país: Jornal do Brasil, O Globo, revista Veja, TV Globo, Globonews. Como consultor de crises e de imagem, auxiliou em grandes corporações como: Grupo Cassino, Confederação Brasileira de Futebol, Ambev, Grupo Iguatemi, OAS, Camargo Correa e Opportunity. Prestou consultoria para políticos e figuras públicas de destaque, entre elas os ex-presidentes Fernando Henrique e Lula. É autor de quatro livros sobre gestão de crises: “A Síndrome de Aquiles” (2001), “A Era do Escândalo” (2003), “A Reputação na Velocidade do Pensamento” (2006) e “Memórias de um Consultor de Crises” (2017).

Egberto Ribeiro Salóes Do Amor – Analista e gestor de riscos e de fraudes, especialista em prevenção de crises no setor público. É Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército e auditor formado pelo Institute of Internal Auditors. Atuou como assessor do Controle Interno do Exército para os Jogos Olímpicos Rio 2016, como assessor do Controle Interno e Gestão de Riscos na Administração de Alto Nível do Exército e na Gestão de Riscos do Hospital das Forças Armadas. No Exército, foi comandante do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro e do 18º Batalhão Logístico, Campo Grande, MS. Possui vivência como docente em cursos de formação e especialização.

Raul Sturari – Doutor em Política e Estratégia pela Escola de Guerra Naval. Bacharel, Mestre e Doutor em Ciências Militares pelo Exército; Pós-Graduado em Pedagogia pela UFRJ; e Bacharel em Administração. Foi Comandante da Escola Preparatória de Cadetes do Exército, Secretário-Executivo do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e coordenador do Projeto “Brasil 3 Tempos”, de Prospectiva Estratégica. Professor de pós-graduação e consultor em projetos públicos e privados nas áreas de Planejamento e Gestão, Prospectiva e Dinâmicas Governantes. Organizador do livro Metodologia FIGE – Ferramentas Integradas de Gestão Estratégica.

Romaly de Carvalho – Especialista em Psicologia Comportamental no Trabalho, consultora em Comunicação Interpessoal, Marketing Pessoal, Etiqueta Profissional e de Carreira. Possui MBA em Gestão da Ciência e Tecnologia pela Fundação Getúlio Vargas. Atuou como professora convidada na FGV e como consultora do Programa VIP, da TV Gazeta, discutindo técnicas comunicação interpessoal e etiqueta profissional. Trabalhou como Coordenadora de Gabinete no Ministério da Ciência e Tecnologia; e como Coordenadora de Processos da FGV-Brasília. Autora do livro “A sua imagem ajuda ou prejudica seus esforços para crescer na carreira?”

Conteúdos Didáticos:

Módulo 1

A pedra e a vidraça: como lidar com a mídia (12 horas)

A relação entre jornalistas (as pedras) e assessores de comunicação (as vidraças) diante de escândalos e crises institucionais. O jornalismo investigativo e as crises políticas; o fetiche pelo jornalismo “denúncia”; o interesse econômico por trás das investigações jornalísticas. A gestão cotidiana da mídia pelo assessor de comunicação. As demandas do repórter, do editor e do colunista. Panorama dos grandes grupos de mídia brasileiros e a dependência econômica dos governos e dos bancos. Anatomia dos jornalistas influentes: quem é quem entre os editores, colunista, repórteres investigativos. Como influir na construção da pauta. Éticas e práticas: ou como funciona a cabeça dos jornalistas. A redução de danos em caso de escândalos. Diálogo entre um jornalista investigativo com grande experiência em provocar crises e um especialista em comunicação com largo expertise na gestão de crises. (Professores: Hugo Studart e Homero Zanotta)

Módulo 2

Metodologias e ferramentas de gestão de crise de imagem (12 horas)

O que é uma crise. Características e diferenças de escândalos, desastres, situações emergenciais e crises. A metáfora do calcanhar de Aquiles. As mídias e as crises. Novos conflitos éticos. Reflexões sobre a percepção da verdade e os escândalos públicos. Apresentação de metodologias e de ferramentas para a gestão de crises de imagem em escândalos de corrupção, envolvendo agentes públicos e corporações privadas. A relação de confiança entre o sujeito-alvo e o assessor de crise. Visão dos públicos estratégicos: interno e de interesse. Comunicação pública, institucional, governamental e corporativa. Assessorias de Comunicação: onde a comunicação não atua e novas possibilidades: explorando pontos fortes e colaborando para minimizar vulnerabilidades. Quanto pode custar gerenciar uma crise. Os possíveis impactos das crises nas instituições e empresas. As novas tecnologias e a realidade dos olhos que tudo registram. (Prof Mário Rosa)

Módulo 3

Formação de um Gabinete de Crise (12 horas)

O gerenciamento do imprevisível. Níveis de tratamento das crises. Os indicadores de crises e o “semáforo” das crises. A composição básica e os requisitos essenciais necessários para composição do gabinete de crises. As características do Op-Center como sala de crises ou o centro de operações. Ações a realizar antes, durante e após as crises. Análise pós ação e as crises que não têm fim. Metodologias e ferramentas para a Gestão de Crise. Os “Pês” das crises: Prevenção, Planejamento, Papel (da imprensa), a Próxima (crise). O mapeamento dos stakeholders. As atitudes e os posicionamentos das instituições e empresas. Planos de condução de crises. Cuidados para não surgir uma crise dentro de outra. Cenários possíveis, uma crise pode surgir exatamente quando tudo parece estar sob controle. (Prof Homero Zanotta)

Módulo 4

Prospecção estratégica para prevenção de crises (12 horas)

O Século XXI e as mudanças, cada vez mais intensas e frequentes. A Prospectiva Estratégica e as correntes mais praticadas no mundo. A Metodologia FIGE – Ferramentas Integradas de Gestão Estratégica e o Método SAGRES de elaboração de Cenários Prospectivos. Identificação, esquematização e descrição de Cenários Prospectivos de Crise. Propostas de políticas, programas, projetos e iniciativas para prevenção de crises ou reações a elas. (Prof Raul Sturari)

Módulo 5

Ferramentas de gestão de riscos (12 horas)

Razões de gerenciar riscos; Compliance como indutor das boas práticas; COSO – Commitee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission: seu papel normativo. Riscos: definições, tipos e o apetite ao risco. Análise de riscos: Matriz SWOT, fixação de objetivos e identificação de eventos potenciais para o desencadeamento da crise, estudo de caso: O portfólio de riscos potenciais para o surgimento de crises. Apresentação da sistemática de um gerenciamento de riscos. Imposição legal da gestão de riscos na Administração Pública. A nova legislação de apoio. Compliance e as boas práticas na esfera federal. Riscos Corporativos: fraude, ética e corrupção. Consequências da Operação Jato no contexto da análise de risco. A judicialização do administrator público. As metodologias de análise de riscos. A construção de uma matriz de risco e seus produtos. (Prof Egberto Salóes)

Módulo 6

Novos atores das crises de cidadania: minorias, gênero, ecologia (12 horas)

A construção dos Direitos do Homem e do Cidadão. Desafios do Século XXI: Minorias étnicas e as ações afirmativas no Brasil. Gênero: A luta pela liberdade afetiva das mulheres e dos homossexuais. O desafio dos vulneráveis e dos esquecidos. Mídia e novos atores das crises de cidadania: minorias, gênero, ecologia. Construção e desafios do movimento ecológico. Culturalismo e relativismo. A tese da solidariedade entre as gerações e o conceito jurídico de direito dos não nascidos. Os novos movimentos sociais: A construção dos grupos sociais organizados com viés ideológico. As estratégias de luta no Século XXI: O dilema entre ativismo de confronto versus de negociação. A busca pelo politicamente-correto e pelas as boas práticas sócio-ambientais nas empresas. (Prof Hugo Studart)

Módulo 7

Inteligência e contrainteligência na Gestão de Crises (12 horas)

A Inteligência Empresarial Estratégica – IE². O papel do Gestor de Inteligência. O Universo prático de Inteligência Competitiva (IC) e o trabalho de IC nas organizações. Planejamento e prática de pesquisa para explicar ou justificar denúncias. Memória, conhecimento técnico e gestão de dados. A relação com o Ministério Público e as técnicas de “lavagem de informação suja”. A questão das fake News e o engajamento em aplicativos e redes sociais como fontes de informação. Tratamento da “comunicação de risco”. Técnicas de redução de danos por meio de contrainformações. A contrainteligência e os riscos ocasionados pela perda de informações sensíveis. Estudos de casos. (Prof Homero Zanotta e Hugo Studart)

Módulo 8

Técnicas de persuasão e gestão de network (12 horas)

Os modelos de persuasão. Técnicas de abordagem de fontes de informação. Noções de PLN e de linguagem do corpo. Modelos de rede de contatos. Organização da agenda e hierarquização das fontes. As características, diferentes demandas e persuasão de autoridades do Executivo, do Legislativo, do Judiciário, do Ministério Público e da polícia. Os bons e os maus momentos para iniciar a relação com as autoridades. Persuasão de assessores e subalternos. Técnicas apuração de informações de campo. A entrevista jornalística e a entrevista de inteligência. Pesquisa e preparação das entrevistas. O uso do off e o sigilo da fonte: éticas, práticas e violações. Gestão do deeptroath. Técnicas de apuração de campo aplicadas aos profissionais de RIG. Estudos de caso. (Prof Hugo Studart)

Módulo 9

Comunicação Interpessoal aplicada às Relações Institucionais (12 horas)

A Comunicação Interpessoal, o comportamento pessoal e os protocolos de etiqueta profissional como ferramentas para formação da imagem pessoal, da credibilidade e da autoridade. Noções de psicologia comportamental do trabalho. A psicologia do traje e da apresentação pessoal: como agregar valor à imagem por meio da roupa; vestimentas e acessórios em diferentes situações; os sabotadores de imagem. Técnicas de comunicação interpessoal: comunicação verbal e não verbal associada às técnicas de persuasão. Protocolos no dia a dia do trabalho: cumprimentos, reuniões de negócios, cartões de visita, o uso do celular, gafes, festa de trabalho, e-mail no trabalho, almoços de negócios. Noções de etiqueta à mesa. (Prof Romaly de Carvalho).

Módulo 10

Análise de 20 crises bem (ou mal) gerenciadas (12 horas)

Análise histórica de casos clássicos crises bem ou mal gerenciadas. Temas para posições positivas em situações de crise. Casos a serem estudados: 1) Exxon Valdez; 2) British Petroleum, a plataforma Deepwater Horizon e o maior desastre ambiental dos EUA; 3) Coca Cola: quanto vale uma marca? 4) Tylenol; Union Carbide (Bhopal, Índia); 5) Dick Cheney, vice-presidente dos EUA; 6) Aspartame; 7) A história não tão secreta da retirada do amianto do porta-aviões Clemenceau 8) O tsunami na Ásia: um caso clássico de apoio 9) As charges muçulmanas e a liberdade de imprensa; 10) Volkswagen: um caso de globalização da crise. Estudos de Caso no Brasil: 1) O caso dos gatos do Planalto: assessoria na vidraça e a situação de crise; 2) Escola Base de São Paulo 3) Situação da crise da Varig: a morte da empresa. 4) As empresas aéreas do Brasil: qual a próxima crise; 5) A gripe aviária e o assessor “profeta do apocalipse”; 6) Inferno na P36: uma crise bem gerenciada e a “reunião da Ave Maria”; 7) A morte da irmã Dorothy na Terra do Meio: crise na Amazônia; 8) Parmalat Brasil; 9) Microvilar, da Shering do Brasil. 10) A onda de água no sertão: um gabinete de crises de longa duração. (Prof Homero Zanotta).

Efetuar Inscrição

Especificações

Estrutura: Curso de 120 horas, com 10 módulos (disciplinas) de 12 horas

Duração: 4 meses

Período: Oferta de 1 módulo a cada 15 dias (sextas-feiras à noite e aos sábados)

Investimento (Curso Completo, 10 Módulos):

1 – Associados Sagres, Abrig ou Corecon:
Até 12 x de R$ 642,56. (R$ 6.400,00 à vista)

2 – Não Associados:
Até 12 x de R$ 738,13. (R$ 8.000,00 à vista)

Parcelamento no Cartão de Crédito

 

Programação:

Data

Módulo

Gestão de Crise

Professor

03 de agosto  Módulo 1 Apresentação dos professores e alunos

Aula inaugural: A pedra e a vidraça.

Homero Zanota e Hugo Studart
04 de agosto Módulo 1 Como lidar com a mídia

Confraternização

Homero Zanotta e Hugo Studart
17 e 18 de agosto Módulo 2 Metodologias e Ferramentas de Gestão de Crise de Imagem Mário Rosa
31 de agosto e 01 de setembro Módulo 3 Formação de um Gabinete de Crise Homero Zanotta
14 e 15 de setembro Módulo 4 Prospecção estratégica para prevenção de crises Raul Sturari
28 e 29 de setembro Módulo 5 Ferramentas de gestão de riscos Egberto Salóes
05 e 06 de outubro Módulo 6 Novos atores das crises de cidadania: minorias, gênero, ecologia Hugo Studart
19 e 20 de outubro Módulo 7 Inteligência e Contrainteligência na Gestão de Crises Homero Zanotta e Hugo Studart
09 e 10 de novembro Módulo 8 Técnicas de persuasão e Gestão de network Hugo Studart
23 e 24 de novembro Módulo 9 Comunicação interpessoal aplicada às Relações Institucionais Romaly de Carvalho
30 de novembro e 01 de dezembro Módulo 10 Análises de crises clássicas bem (ou mal) gerenciadas Homero Zanota
01 de dezembro Encerramento

Confraternização

Todos

Efetuar Inscrição

Dúvidas? Fale com a gente





Diálogos e discussões. Tema: uma nova Constituinte

by

A crise anunciada do Anel do Pescador que troca de mãos

by

Na pauta do consistório convocado – assembléia ou reunião de cardeais presidida pelo Papa – constava apenas a discussão e decisão sobre três canonizações.

Tudo transcorria como de costume. Os integrantes do staff papal já estavam bem acomodados em seus assentos e o Pontífice já havia ocupado a agenda prevista. Tudo indicava que o protocolo daquela segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013, estava próximo do seu final.

Mas não foi bem assim. Assessores mais próximos perceberam que o Papa estava inquieto. Havia algo no ar daquele fatídico dia.

Foi nesse momento que Bento XVI retira da pasta um papel que ninguém tinha visto. E fez um corajoso e histórico pronunciamento.

No Vaticano, como de praxe em outros lugares do mundo, pronunciamentos são analisados em termos de forma e conteúdo, além, claro, da legitimidade dos atos e suas consequências. Não foi o caso daquele documento. Apenas o Papa sabia do que se tratava.

O Papa, então, lê o texto em claro e bom tom de voz. Declara-se incapaz de continuar em sua missão, relata que suas forças físicas e mentais se esgotam e anuncia que no próximo dia 28 de fevereiro apresentará renúncia.

O Secretário particular do Sumo Pontífice pensa consigo “Vamos com calma… deve haver um engano…” e aproxima seus olhos para aquele papel na suspeita de que um intruso o tivesse escrito e caiu por acaso na prancheta papal. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, tosse e, rapidamente, busca respostas para as perguntas que ainda ninguém fez. Os Cardeais presentes se entreolham estupefatos.

Crises são assim. Mostram sinais imperceptíveis, pistas de algo que pode ocorrer, singelas pegadas na neve ou discretas marcas na história recente. Até que, em determinado momento a montanha vem abaixo, o trem descarrilha e as coisas parecem sair de controle. E não se tem a visão de um desenrolar lógico dos acontecimentos que levariam a um desfecho feliz.

Foi nesse processo que, hoje, identificamos fatos críticos na linha do tempo do Vaticano e na gestão de Bento XVI. O Mordomo, Paolo Gabriele, que vazou documentos pessoais; o Islamismo que prossegue sua histórica expansão; a interminável Segunda Guerra Mundial que, insistindo em se fazer presente, provoca declarações, suspeitas e desculpas; as distorções de comportamento sexual e escândalos públicos de integrantes da Igreja Católica; as invisíveis divisões eclesiásticas na clássica busca do poder; e as dificuldades em incorporar mudanças sociais e tecnológicas, entre outros sinais, apontavam que o fardo estava pesado demais para Joseph Ratzinger, um ser humano de 85 anos de idade.

O motivo da anunciada crise é simples: um cenário impensado! Os que sabiam das condições clínicas de Sua Santidade mantinham discrição e achavam que o fim do Papa seguia seu processo natural de declínio. Os que suspeitavam não se atreviam a lenvantar tal hipótese e os que contavam os anos apenas acompanhavam o dia-a-dia de Bento XVI.

O terreno das hipóteses é fértil pelos que analisam a situação gerada. Chegaram a imaginar um futuro processo de canonização, mas, com a renúncia, isso seria inviável. Pensam eles que o Papa assumiu o cargo para, como a maioria de seus antecessores, nele permanecer atá morte, desconhecendo os dispositivos legais do Código de Direito Canônico. Outros, ainda mais trágicos, formulavam a possibilidade de o sucessor vir a falecer antes de Bento XVI…

Anulus Piscatoris ou o Anel do Pescador é o símbolo oficial do Papa, o sucessor de São Pedro. O Anel era usado como um sinete, o reconhecimento oficial da documentação assinada pelo Papa. Ao renunciar e se enclausurar para reflexões e orações, o Anel que o então Papa Bento XVI portava será destruído.

A Capela Sistina receberá o colegiado de Cardeais e o mundo ficar à espera da celebração do conclave e da escolha do sucessor de Bento XVI.

Como inexiste evento de “passagem do cargo” no caso do Papa, durante a cerimônia de Tomada Papal, o escolhido receberá um novo Anel, que será colocado no quarto dedo da mão direita pelo Decano do Colégio dos Cardeais.

Novo Anel, mesmos problemas, velhas crises!

Homero Zanotta é proferssor de Comnunicação Social e integrante do Instituto Sagres