A competitividade e a abertura internacional dos negócios têm levado as empresas a repensarem sobre seus métodos de administração, as operações internas, além de reavaliarem o perfil dos profissionais e o ambiente em que estão inseridas. Este ambiente como fonte de oportunidades mas, também, de ameaças, expõe as empresas a questões econômicas como taxas de inflação, de crescimento econômico, de desemprego, distribuição de renda, barreiras comerciais, além da observância dos ciclos econômicos (ou flutuações). Aspectos como a cultura, a tecnologia utilizada, a capacitação de mão-de-obra e as políticas governamentais também passam a ter uma maior dimensão em sua aplicabilidade para as empresas.

No atual cenário econômico e tecnológico, as transformações no mercado são constantes, obrigando os profissionais a se prepararem melhor para os grandes desafios. O advento da globalização criou um mundo em profunda integração, tornando letal o isolacionismo para as empresas e seus colaboradores que ainda se propõem a atuar de forma individualizada.

Para compreendermos a evolução do capital humano frente aos novos desafios internacionais é necessário conhecermos o passado a partir do mercantilismo, entre o século XV e o final do século XVIII. Período marcado pelos importantes descobrimentos marítimos e pela abertura de novas rotas comerciais. Com os descobrimentos, surge a concepção do sistema do monopólio colonial e, radicalmente, protecionistas.

Para os mercantilistas, o controle comercial pelo Estado centralizador era essencial, sobrando pouco espaço para a iniciativa privada. Como ideias centrais, o mercantilismo defendia a perseguição de uma posição superavitária da balança comercial; a proibição expressa de muitas importações e fortes controles sobre outras importações; o monopólio da exploração das colônias e da indústria colonial em favor da coroa; o entesouramento metalista como forma de obtenção da riqueza nacional, entre outros princípios menores. Portanto, nessa época, a liberdade comercial era muito restrita.

O capital humano continua sua caminhada em direção aos novos rumos mercadológicos e os países passam a organizar-se em blocos, como a União Européia e o Nafta

Com a chegada do Liberalismo, surge uma eclosão de pensamentos completamente divergentes às pregadas pelos mercantilistas. Surgem ainda os filósofos-economistas da escola clássica ou liberal, como Adam Smith, David Ricardo, Nassau Senior e John Stuart Mill. Esses pensadores pregam que o livre comércio é benéfico a qualquer nação. O propósito central é a de que a especialização internacional do trabalho e do capital humano leva os países a produzirem, com maior eficiência, aquilo que eles sabem fazer com maior facilidade ou cujos recursos existentes nos seus respectivos países assim os possibilitam a fazer. Como consequência da adoção dessas ideias, uma liberdade comercial sem precedentes, em âmbito internacional, dominou o cenário de então.

O capital humano continua sua caminhada em direção aos novos rumos mercadológicos e os países passam a organizar-se em blocos, como a União Européia e o Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio). Esse fato, aliado ao vertiginoso progresso da informática, da tecnologia das comunicações e da eletrônica potencializa a aproximação dos países, das empresas e das pessoas.

Neste cenário, a internacionalização, entendida como a globalização das economias e dos mercados, constitui um dos elementos chave do modelo que atualmente rege as relações econômicas, pois já não é mais viável que as empresas e os profissionais vislumbrem apenas as oportunidades do mercado nacional e para tanto, é preciso que sejam inovadores, busquem a excelência, conheçam a cultura, as tradições e os valores de outros países, aceitem e superem os desafios, adquiram novos conhecimentos e construam sua própria história.

Fabiano de Souza Ferraz é Diretor de Gestão Acadêmica e Universitária do Instituto SAGRES e Mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

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